Wagner Costa: Corpo como método
A exposição apresenta um recorte recente da produção de Wagner Costa (Porto Alegre, 1983). Traz uma seleção que tem o desenho do corpo como base da pesquisa. Mas desenhar, aqui, não significa representar. Desenhar é aguçar o olhar para o que não se percebe. A partir do contorno do próprio corpo e, sobretudo, dos vazios que ele produz ao se mover no espaço, o artista faz surgir formas que se afastam de qualquer figura reconhecível. O corpo se desfaz em linhas, recortes e planos de cor.
o artista
Wagner Costa
Wagner Costa (Porto Alegre, 1983) investiga as relações entre corpo, imagem e espaço. A formação em Arquitetura pela Unisinos atravessa sua produção visual na atenção à escala, à estrutura e às relações entre forma e espaço. É especialista em Linguagens da Arte Contemporânea pela FAAP, com formação complementar na Fundação Iberê Camargo e na EAV Parque Lage.
No circuito institucional e de galerias, destacam-se as individuais O Traço que Nasce da Sombra, apresentada na Galeria Augusto Meyer (IEAVi/MACRS), em Porto Alegre, e na Residência Fonte, em São Paulo. Desenvolveu ainda os projetos participativos Rabiscos e Rabiscos 16+ no Instituto Ling, integrando a programação do Porto Verão Alegre em 2024 e 2025.
Sua trajetória recente inclui participações na SP-Arte, no programa Portas para a Arte, da Fundação Bienal do Mercosul, e na mostra coletiva MARGS Urgente: Corpo e Alma, com curadoria de Angélica de Moraes, na Casa SP-Arte.
Indicado ao Prêmio Açorianos de Artes Visuais em 2022 e classificado entre os três primeiros no Edital SEDAC Palácio Contemporâneo em 2025, Costa tem obras nos acervos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) e do Museu Municipal.
obras
Entre os trabalhos estão uma instalação, obras bidimensionais e elementos que contam o processo criativo do artista.
- Entre nós, gravidade, 2026
Díptico. Técnica mista sobre papel com pigmentos inorgânicos. 180 × 150 cm (cada). - Relações provisórias, da série Moventes, 2026
Peças em técnica mista sobre papel com pigmentos inorgânicos suspensos por fios de monofilamento - Série Ausências, 2026
Conjunto de trabalhos em relevo seco sobre papel. 38×34 cm (cada) - Elementos como fotografias, desenhos e anotações presos à parede, que trazem aspectos e vestígios do processo criativo do artista
curadoria
Fernanda Albuquerque
Fernanda Albuquerque (Rio de Janeiro, 1978) é professora da UFRGS e curadora independente. Na Universidade, atua no Bacharelado em Museologia e no Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPGMUSPA). Foi docente também da Especialização em Práticas Curatoriais da UFRGS (2019-2021). Possui mestrado e doutorado em Artes Visuais – História, Teoria e Crítica pela UFRGS (2006 e 2015), com estágio sanduíche na UniversityoftheArts London (2013-2014). Atualmente, desenvolve o projeto de pesquisa “Como museus podem aprender com a arte e os artistas” junto ao PPGMUSPA/UFRGS.
Entre 2021 e 2025, integrou o Comitê de Acervo e Curadoria do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foi Curadora Assistente da 8a Bienal do Mercosul (2011) e Curadora de Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo (2008-2010). Desde 2007, desenvolve projetos curatoriais e educativos em instituições como Instituto Tomie Ohtake, Goethe Institut Porto Alegre, Bienal de São Paulo, Santander Cultural, Bienal do Mercosul, Galería Gabriela Mistral, Museu Murillo La Greca, Pinacoteca Aldo Locatelli, MACRS, Centro Universitário Maria Antônia e Fundação Vera Chaves Barcellos, dentre outras. Em 2010, recebeu o “Prêmio Estudos e Pesquisas sobre arte e economia da arte no Brasil”, oferecido pela Fundação Bienal de São Paulo. E em 2022, ganhou o “XV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas – Destaque Curadoria”, ofertado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa da Prefeitura de Porto Alegre.
texto curatorial
Wagner Costa: Corpo como método
Wagner Costa: Corpo como método
O desenho do corpo está na base da pesquisa de Wagner Costa (Porto Alegre, 1983). Mas desenhar, aqui, não significa representar. Desenhar é aguçar o olhar para o que não se percebe. A partir do contorno do próprio corpo e, sobretudo, dos vazios que ele produz ao se mover no espaço, o artista faz surgir formas que se afastam de qualquer figura reconhecível. O corpo se desfaz em linhas, recortes e planos de cor. Torna-se vestígio?
As formas orgânicas geradas nesse processo podem ser coladas, dobradas, prensadas, suspensas, projetadas ou ativadas pela sombra. Podem ocupar o plano bidimensional, como no díptico Entre nós, gravidade (2026), ou expandir-se pelo espaço, como nos chamados Moventes (2026), sendo continuamente rearranjadas a partir de aproximações entre figuras, cores e fundos. Moventes (2026) condensa esse movimento. São ensaios que nunca se apresentam definitivamente, pois permanecem em transformação, a partir do deslocamento de quem os observa – com o corpo, mais do que apenas com o olhar. Já nas obras da série Ausências (2026), também é o movimento de quem as contempla que revela as formas, contornos e relevos ali presentes, a partir de um sutil jogo de sombras.
O processo – suas experimentações, avanços e recuos – ocupa um lugar central na prática de Wagner. Para esta exposição, optamos por sublinhar algo dele, trazendo para o espaço expositivo um conjunto de fotografias, anotações, desenhos, referências e outros elementos que, em seu ateliê, tomam conta das paredes e do chão e, de algum modo, espacializam suas investigações. Algo desse processo também pode ser vivenciado pelos públicos, durante a mostra, por meio de uma oficina a ser oferecida pelo artista.
Na prática de Wagner, o corpo deixa de ser tema e passa a ser método. Método este que encontra, na experimentação, um modo de agir e pensar. Mais do que chegar a resultados acabados, o que parece interessar ao artista é criar condições para que suas formas-vestígio possam operar no plano e no espaço: aproximar-se, afastar-se, afetar-se e produzir relações.
data
29 de setembro a 1 de novembro, de terça a domingo, das 10h às 18h, inclusive feriados
Entrada franca



