Moro no Morro do Biriba
Em 20 monotipias e pinturas o artista transita entre diferentes técnicas retratando o Moro do Biriba. Utilizando uma matriz de metal, inicia sua produção a partir do diálogo entre a gravura e a pintura com tinta acrílica ou óleo.
As obras abordam a temática do morro, sua natureza, mas principalmente as crianças. Capturar instantes de pureza, magia e energia das brincadeiras, correrias e gritarias alegres que remete à sua infância.
Algumas das criações vêm de fotografias do cotidiano do morro, outras de memória vivida ou inventada. Assim, além das janelas, natureza, pessoas e animais passam a surgir como personagens em suas obras, mostrando que essa infância livre ainda existe onde mora. A infância da brincadeira na rua, do futebol improvisado, da contemplação.
Celebra em suas obras o cotidiano do Morro do Biriba, buscando retratar instantes de existências, convocando o espectador a se conectar com a profundidade do simples ato de estar vivo. Ao registrar o cotidiano da população negra, dialoga diretamente com a vibrante produção de Heitor do Prazeres.
Quando adulto, morou em uma casa que não tinha espaço para ter janela, talvez esse seja um dos motivos pela busca por retratar esse elemento tão presente em sua obra. Hoje, o ateliê do artista tem duas janelas, uma voltada para o morro onde reside, e outra voltada para o morro vizinho. São elas, as janelas, que mantém o horizonte em permanente estado de abertura.
As pessoas e animais que aparecem nas obras do artista podem ser reais e fictícios, misturando realidade e cenas que gostaria de ver pelas janelas da vida. Traz referências nas cores e vibrações da religião de matriz africana.
Em cada personagem, real ou inventado, a possibilidade de descoberta de mundos, que hoje ele como adulto tem consciência e desejo que eles possam também descobrir. Para eles o mundo é ali, o agora, o morro. O artista deseja que no futuro todos possam encontrar suas próprias janelas e explorar novas possibilidades.
As cores que predominam são preto, vermelho, cobre e diversos tons de marrom. O marrom se aproxima de minha cor de pele, negra, a maioria de meus personagens são negros. O vermelho é o sangue. O preto é sonho, é universo a ser desbravado”. O artista conta ainda que para algumas obras o pigmento ganhou um elemento especial, o barro, o saibro do morro. Trazendo para a obra um pouco da impermanência, da efemeridade da vida.
o artista
Nascido em Porto Alegre, em 1999, teve contato com as artes desde cedo. Visitas a museus e igrejas no centro da cidade deixaram memórias muito impactantes por provocarem uma abertura de horizontes. A primeira memória remonta aos seis anos, quando sua mãe o levava para passeios culturais. Já aos 8 anos visitou a Fundação Iberê, com a escola, pela primeira vez. A arquitetura impressionou o jovem que já era estimulado desde cedo a sensibilizar os sentidos através da arte. A escola teve também papel fundamental na construção de repertório de Rosa dos Anjos, não apenas nas saídas de campo mas também nas aulas expositivas. Anos mais tarde, o início de sua produção como artista se dá a partir do contato com Eduardo Haesbaert, artista que tantas referências apresentou e vem apresentando a Rosa do Anjos. Eduardo é um grande mestre e incentivador da produção de Rosa dos Anjos. Atualmente o jovem artista tem o privilégio de trabalhar ao lado de seu mentor no Ateliê de Gravura da Fundação Iberê. Durante esse período, atuou ao lado de artistas convidados a desenvolver gravuras no ateliê. André Ricardo, Carmela Gross, Alexandre Maxwel, Lucas Arruda, Santídio Pereira, José Resende, Marco Maggi, Marepe, Afonso Tostes, Janaína Tschape, Thiago Martins de Melo,Panmela Castro e Luciana Mass são alguns dos artistas que tiveram suas gravuras impressas por Rosa dos Anjos. Além disso, em 2025 participou de sua primeira exposição coletiva,Forja, na galeria Remanso, Porto Alegre. “Sob a curadoria de Aisha Costa e Pietro Ferreira, Forja aborda a negritude por meio de expressões artísticas pretas na cidade de Porto Alegre. O título alude ao ato de ‘forjar’ pensado a partir da simbologia de Ogum, divindade de matriz africana detentora do domínio sobre o ferro. Nesse sentido, busca-se refletir acerca das diferentes formas de celebrar as vidas que surgem enquanto possibilidade de resposta diante do racismo e das violências sociais e que desaguam no mundo em forma de um desejo partilhado coletivamente.”
curadoria
Ilana Machado
Coordena o Programa Educativo da Fundação Iberê. Mestra em Educação na UFRGS. Bacharela em Artes Visuais pela UFPel. Foi supervisora de mediadores na Bienal do Mercosul, e fez parte da Câmara de Professores da mesma mostra. Ministrou oficinas de gravura para a Prefeitura de Pelotas e na CAIXA Cultural Brasília e atuou como educadora no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo. Em Los Angeles trabalhou como educadora no LACMA (Los Angeles County Museum of Art). Em Nova Iorque atuou como produtora, consultora de arte e, eventualmente, repórter para vídeos institucionais e jornalísticos. Com o cineasta Beto Souza trabalhou como coordenadora de produção e produtora cultural para vídeos institucionais.
data
abertura
14 de abril de 2026, 19 horas
conversa com artistas às 17h
visitação
até 17 de maio de 2026, de terça a domingo, das 10h às 18h
entrada franca

