MEIO
A exposição “MEIO” apresenta um conjunto de trabalhos desenvolvidos a partir de 2023, que investiga o desenho como gesto persistente, marca, cicatriz e inscrição sobre o corpo e sobre o papel. Uma experiência de aproximação: observar o desenho como incisão mínima, gesto reduzido e insistente, capaz de revelar o mistério que permanece em tudo aquilo que marca um corpo.
A pesquisa parte da repetição como método — experimentação, errância e insistência — para explorar os limites dos materiais e a relação íntima entre o ato de desenhar e a memória corporal.
artista
Artista de Lajeado (1964) radicada em Porto Alegre desde a década de 1980.
Integrante do coletivo Laboratório de Práticas, ela vem aprofundando, nos últimos anos, uma investigação sistemática que relaciona desenho, singularidade e marcas corporais. A curadora Ana Flávia Baldisserotto, formada e mestre pelo IA/UFRGS, atua há mais de duas décadas na docência e na pesquisa em artes visuais, e atualmente dirige a Casa Dona Flora, espaço independente dedicado à experimentação artística.
uma experiência de aproximação: observar o desenho como incisão mínima, gesto reduzido e insistente, capaz de revelar o mistério que permanece em tudo aquilo que marca um corpo.
curadoria
Ana Flávia Baldisserotto
o desenho no meio
Desenho como repetição, como experimentação, jogo.
Desenho como errância, permanência, incisão.
Explorar os limites dos materiais e encontrar sentidos na relação entre o ato de desenhar e a história do próprio corpo tem sido o eixo central da pesquisa de Juliana Schnack desde 2023.
“(…) o começo vem do meio, do meio das costas, como se ali tivesse um umbigo; o lápis duro que, mais do que riscar, depois de muito insistir, machuca, corta; o papel se submete ao lápis (…) o desenho é uma forma de trazer para frente, como um espelho, a cicatriz que se desenhou no meu dorso e que me acompanha desde menina (…)”.
O corpo, aqui, não é tema, mas simultaneamente arquivo e instrumento. É ele que mede a pressão do lápis, que suporta a repetição, que registra — na fadiga e no gesto reiterado — a memória da cicatriz. No Atlas do Corpo e da Imaginação, Gonçalo M. Tavares afirma que “há ideias que só podem ser pensadas com o corpo”. Os desenhos de Schnack parecem operar justamente nesse território. Os pequenos formatos, a economia dos procedimentos e as repetições quase cerimoniais de um mesmo traço configuram uma pequena geografia da imaginação. Desse diálogo, emerge uma leitura possível: o desenho como uma espécie de instrumento de precisão às avessas, que aproxima o visível do invisível, fazendo da cicatriz não apenas vestígio, mas princípio organizador.
A proposta para a Sala Potência apresenta um recorte dessa série, composto de modo a cartografar zonas da experiência da artista em desenhos, cadernos e vídeo. A exposição se delineia como um atlas íntimo, um mapa de gestos mínimos e reiterados, de linhas de força reencontradas.
Nesse corpo de trabalho que emerge da repetição econômica e concentrada de uma mesma inscrição, encontramos um gesto que afirma, tanto no seu silêncio quanto na sua permanência, o mistério inapreensível que reside em tudo aquilo que marca um corpo.
E assim, entre o traço e o corte, entre a memória e a pele do papel, a escrita de um certo impossível faz presença. O desenho no meio.
Ana Flávia Baldisserotto
a mostra
75 desenhos em pequenos formatos — entre 6 e 18 cm — produzidos com lápis duro, vermelhos aquareláveis e carvão, em papéis artísticos de diferentes gramaturas. A exposição inclui ainda cinco cadernos gestacionais e um vídeo de dois minutos em looping, que ampliam a compreensão do desenho como ação que atravessa tempo, memória e corpo.
Esta exposição foi selecioada por edital e é a última entre as cinco deste ano.
data
18 de dezembro de 2025
17h – Conversa com artistas
19h – Abertura oficial
visitação
até 25 de janeiro de 2026
Entrada franca

