Maria Tomaselli – O Meu Frágil Mundo Passageiro

A desenhista, pintora e gravadora austro-brasileira Maria Tomaselli expõe o seu trabalho na mostra “O Meu Frágil Mundo Passageiro”.

Reunindo obras produzidas em diferentes técnicas, como pintura, escultura e trabalhos em lonas, desenvolvidos ao longo de uma trajetória de mais de 50 anos de atividade artística no Brasil, a mostra dedica seu olhar a uma multiartista de 81 anos que tem uma extensa produção simbólica e já realizou cerca de 400 exposições entre individuais e coletivas em várias partes do mundo. Tomaselli nasceu em 1941, cursou filosofia em Innsbruck, sua cidade Natal e muda-se para Porto Alegre em 1965.

Desde sua chegada ao Brasil intensificou seus estudos em artes visuais com nomes de destaque. Em sua trajetória pela capital gaúcha, São Paulo e Rio de Janeiro foi aluna de pintura de Iberê Carmargo, de xilogravura de Danúbio Gonçalves, de serigrafia com Paulo Menten, cursa artes gráficas, gravura em metal, entre outras técnicas e recebe bolsa para seguir sua formação em Roma e Paris.

a artista

Em 1965, se diploma em filosofia e muda-se para Porto Alegre. Durante dois anos, estuda pintura com Iberê Camargo para, em seguida, iniciar a formação em artes gráficas (1971), com aulas de xilogravura com Danúbio Gonçalves, no Ateliê Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Em 1972, vai morar em São Paulo, onde faz cursos de serigrafia com Paulo Menten, frequenta a Escola Brasil e é premiada na 2ª Exposição Internacional de Gravura, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Muda-se para o Rio de Janeiro em 1975, e inicia um curso de gravura em metal no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ).  Em Olinda, a partir de 1979, liga-se então à Oficina Guaianases de Gravura. Funda, em 1980, o ateliê MAM de litografia com as artistas Anico (1948) e Marta Loguércio. Nessa década, recebe bolsas de estudo do Instituto Austríaco-Italiano, em Roma, e do Instituto Austríaco-Francês, em Paris. Ao longo de sua trajetória, suas obras foram exibidas em museus e instituições no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa.

o curador

Nicolas Beidacki é Conselheiro de Cultura do Rio Grande do Sul, curador, dramaturgo, professor e artista visual. Formado em Teatro-Licenciatura pela Universidade Federal de Pelotas e Pós Graduado em Práticas Curatorias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul é membro do Grupo de Dramaturgos de Porto Alegre e curador do Primeiro Selo de Dramaturgia do Rio Grande do Sul, juntamente com a Editora Pubblicato. Com seus textos, já recebeu uma Aula Magna na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto – Portugal, foi selecionado no Kino Beat Musicircus 2020, Festival Lift Off – Reino Unido, foi vencedor do Prêmio Funarte de Teatro 2020, vencedor do Festival Internacional de Cinema do Caeté 2021 – representando o Rio Grande do Sul na África e na Europa, e vencedor do Prêmio Olhares da Cena.

Nas artes visuais, produz experimentações interdisciplinares na paisagem, por meio do grupo T.E.L.A, do qual é coordenador, e realizou as exposições “Milton Kurtz – In Memoriam” – na Galeria Ecarta; “Para vir a ser o que sou”, na Fundarte; “No Horizonte Profundo”, no MALG – Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo; “O Silêncio Antes da Sombra”, no MACRS – Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Ante ver ter – MALG, além de colaborar com textos críticos para jornais e outras mídias.

Operando instantes de desconforto e estabelecendo uma passagem de delicadeza e angústia nos assombros do imaginário, as obra de Maria Tomaselli se apresentam como um passeio turbulento e desenfreado pela singularidade simbólica da vida, que se encontra alicerçada numa vasta compreensão filosófica e sociológica. Nos mais de cinquenta e sete anos que reside e produz no Brasil, a artista de origem austríaca coloca frente ao olhar do observador a qualidade de potência que sobrevive e se debate no indizível.

Suas obras, uma variada produção de pinturas, gravuras, litografias e esculturas, nos confrontam a se deparar com a magnitude do enigma, como quem instaura silenciosamente um questionamento sem buscar uma resposta definitiva para tudo aquilo que vibra ao existir na imensidão da dúvida. Por alguns instantes, turvos e incertos, somos alguém que lança uma pergunta no ar, porque desconfiamos que ali tudo irá se desfazer, e acabaremos suspensos nas sensações do conflito vivenciado no interior de suas obras. Contemplamos aquilo que não deveria existir, mas existe; aquilo que não deveria ser, mas acaba por se tornar.

É também na vastidão de seu trabalho que observamos sinais de ruínas. São brechas por onde vemos passar a demolição do corpo, da casa e da formação identitária que nos deixou em um estado imutável de espanto. Em Tomaselli, tudo nasce daquilo que foi posto ao chão: o lugar, suas flores, os corpos e as moradias. Aqui, pássaros caem e casas flutuam. Nada escapa do furor de sua criação. Há uma agressiva malvadez no destratar as formas, quebrando-as, revirando-as sem medo de errar, cuspindo energia caótica, como aponta o jornalista, artista e crítico de arte Arnaldo Pedroso D´Horta, em 1973. Sabemos apenas que manuseamos um encontro com o estranho, que nunca deixa de se assemelhar com o que somos: um misto de sensualidade nas derrotas; e lirismo nas falências.

Nicolas Beidacki

Curador


abertura
21 de maio de 2022, 10h
visitação
Até 26 de junho, de terça a sexta-feira, das 10 às 18h
local
Galeria Ecarta (Avenida João Pessoa, 943, bairro Farroupilha, Porto Alegre – RS)