El Tendedero de Mónica Mayer

Romper Silêncios, Fomentar Redes

O coletivo Las Mariposas, da Casa de Referência Mulheres Mirabal, exposição selecionada pelo Edital Ecarta, apresenta a instalação El Tendedero, da artista mexicana Mónica Mayer, um varal artístico que convoca a participação do público para tratar das questões do feminismo.

El Tendedero é a obra seminal da artista Mónica Mayer, pioneira da arte feminista mexicana. Em 1978, Mónica Mayer apropriou-se do varal de roupas, objeto ligado à domesticidade da mulher,  para criar uma obra participativa sobre as experiências das mulheres no espaço urbano. A partir da provocação “Como mulher, o que mais detesto na cidade é:”.

As centenas de respostas obtidas foram, em sua maioria, relacionadas aos episódios de violência e assédio vividos por mulheres. A obra continua sendo reativada em diferentes contextos, sob orientação da artista, por coletivos no mundo inteiro, tensionando discursos machistas e hierárquicos, e promovendo a criação de redes de diálogo sobre como podemos superar situações de assédio em suas diferentes formas.

As colaborações serão incluídas no arquivo de Mónica Mayer, ampliando o alcance dos diálogos, trocas de experiência e das redes formadas localmente. Além da ocupação da Sala Potência através do Tendedero, serão realizadas duas oficinas de bordado coletivo, cujo resultado será integrado à exposição.

as artistas

Mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na área de concentração de cidade, cultura e política, onde pesquisou práticas de corpo-território e do comum, a partir das lutas e resistências das mulheres no espaço urbano. É integrante do Margem_Lab, grupo de pesquisa vinculado à UFRGS que convoca modos de pesquisar o urbano capazes de acolher outras práticas e discursividades por meio das diferenças. É idealizadora do projeto educativo Natal Cidade dos Sonhos (2019). Fez parte da equipe de mediadores na 13ª Bienal do Mercosul (2022). Já atuou em diversas instituições culturais de Porto Alegre como oficineira – em projetos que rompem fronteiras entre o pensar urbano, a experiência e a arte.

Doutoranda em História, Teoria e Crítica da Arte no PPGAV/UFRGS, pesquisando práticas sociais da arte contemporânea, com destaque para o artivismo feminista e as relações da produção artística latino-americana com o norte global. Integra a equipe editorial das Revistas Valise e Philia | Filosofia, Literatura & Arte, vinculadas à UFRGS, e é especialista em Gestão de Acervos pela Universidade de Passo Fundo. Juliana Rodrigues Isidoro: Doutoranda em Química de Polímeros no Programa de Pós-gradução em Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Artesã autônoma na área de crochê.

Graduanda em Licenciatura em Artes Visuais pela UFRGS. Integra também o coletivo e grupo de estudos Semilleros. Pesquisa relações entre arte e feminismos, o combate à violência contra a mulher e a pessoas dissidentes de gênero. Experimenta diferentes linguagens, com prevalência da arte de ação, intervenção urbana e performance, jogando com esses temas, questionando e tensionando o público e o privado. Este ano, participou da exposição coletiva “VIARUA” no Museu da UFRGS.

Mestra em História, Teoria e Crítica da Arte pelo PPGAV/UFRGS, produtora cultural e especialista em Práticas Curatoriais (IA-UFRGS). Possui formação complementar em Gestão Cultural pelo Núcleo de Economia Criativa e da Cultura (FCE-UFRGS). Foi cofundadora do espaço independente Casa de Cultura Vaca Profana, em Passo Fundo. Atuou no educativo do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider e como supervisora de mediação na equipe educativa da 13ª edição da Bienal do Mercosul.

Artista visual e arte educadora, voluntária na Oficina de criatividade do HPSP, graduada em Design Gráfico e estudante de licenciatura em artes visuais. Suas produções são autobiografias e pretendem falar das emoções, tendo a arte como ferramenta de materialização. Integrou a equipe de mediadores culturais da Bienal do Mercosul e atualmente ministra a oficina de processos criativos, que acontece em escolas municipais do RS, através do Instituto Crescer.

Juliana Isidoro

 

texto curatorial

Em 1978, a pioneira da arte feminista mexicana Mónica Mayer apropriou-se de um objeto ligado à domesticidade da mulher, o varal de roupas, para criar uma obra participativa sobre as experiências das mulheres no espaço urbano a partir da provocação “Como mulher, o que mais detesto na cidade é:” As centenas de respostas obtidas foram, em sua maioria, relacionadas aos episódios de violência e assédio vividos por mulheres.

El Tendedero, o varal, continua sendo reativado em diferentes locais e contextos que pautam o tipo de provocação que dispara a obra, e tem sido reproduzido, sob orientação da artista, por coletivos no mundo inteiro, tensionando discursos machistas e hierárquicos, e promovendo a criação de redes de diálogo sobre como podemos superar situações de assédio em suas diferentes formas. Em 2020, Mayer viria a Porto Alegre por ocasião da Bienal do Mercosul, e entrou em contato com a Casa de Referência Mulheres Mirabal e o Movimento de Mulheres Olga Benário para a realização da obra. Com a pandemia, as atividades precisaram ser canceladas.

A Casa de Referência Mulheres Mirabal surgiu como uma ocupação de mulheres organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário em Porto Alegre no dia 25 de novembro de 2016, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Nestes 7 anos, o espaço consolidou-se como uma Casa de Referência para mulheres vítimas de violência e seus filhos. Atualmente, a Casa está localizada em uma escola estadual fechada. A ida para tal local resultou de meses de negociação entre movimento, Prefeitura de Porto Alegre e Estado do Rio Grande do Sul.

A Mirabal foi idealizada para questionar a falta de vagas existentes dentro dos serviços públicos para acolher e abrigar mulheres. Em 2019, recebeu o Prêmio destaque em saúde – Categoria Saúde da Mulher conferido pelo Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre e, desde março de 2023, integra o Conselho Estadual de Direitos da Mulher do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Agora, nós do Coletivo Las Mariposas, originado a partir da Mirabal, temos o privilégio de dar continuidade à primeira reprodução em Porto Alegre dessa obra tão importante para a arte contemporânea em parceria com a Fundação ECARTA.

Convidamos o público, principalmente mulheres cis, trans e pessoas dissidentes de gênero, a refletirem conosco sobre suas experiências na cidade em um exercício que transforma o silêncio em linguagem e em ação, como sugere Audre Lorde na coletânea de ensaios Irmã Outsider. Esperamos que o Tendedero possa servir como uma ferramenta radical para romper esse silêncio que invisibiliza nossas experiências e para construir um diálogo emancipatório, ampliando nossa compreensão de como as estruturas de dominação operam em nossas vidas, e, ao mesmo tempo, de como podemos atuar para construir novos mundos possíveis.

Todas as colaborações, que podem ser feitas de forma anônima em forma de resposta às questões disparadoras apresentadas no varal, serão incluídas no arquivo de Mónica Mayer.

 

coletivo las mariposas

Além das performances e intervenções realizadas em espaços públicos, o coletivo realizou, entre os meses de abril e maio de 2022, a mostra Mirabal: (re)existir para (re)construir em parceria com o Centro de Desenvolvimento da Expressão e a Casa de Cultura Mário Quintana. A exposição foi acompanhada de três oficinas contemplando público adulto e infantil. Também em 2022 foi ministrado o curso “Nos Queremos Vivas” sobre iniciativas da arte contemporânea mundial relacionadas aos temas abordados pelo coletivo.

O nome do coletivo homenageia as irmãs Mirabal, Minerva, Maria Teresa e Pátria, assassinadas em 25/10/1960 na República Dominicana a mando do então ditador Rafael Trujillo. A partir de sua luta por uma sociedade mais justa, as irmãs passam a ser conhecidas como Las Mariposas e a data é transformada no Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher.

abertura
12 de dezembro 2023, 19h

visitação
Até 28 de janeiro de 2024, de terças a domingo, das 10h às 18h, inclusive feriados.

local
Fundação Ecarta (Avenida João Pessoa, 943, Porto Alegre).

entrada franca