Afeto Presente

Duas jovens artistas, Mitti Mendonça e Ursula Jahn, reconstroem sua ancestralidade pelo viés matriarcal como caminho para sobrevivência afetiva. Expressam em bordado e fotografia as mulheres de suas famílias a partir de sua pesquisa documental e oral, buscando compreender-se como indivíduo e como pertencimento coletivo.

A exposição Afeto Presente dedica uma sala para cada artista. “São biografias únicas, assim, são duas exposições individuais dentro de uma mesma mostra”, explica Mel Ferrari, curadora. “Queria algo sobre histórias de família e sabia que elas tinham uma produção neste tema”.

Fazendo interferências nos retratos de seus familiares, Mitti Mendonça apresenta dez obras com costura e bordado, técnicas que aprendeu com suas tias. Utiliza uma experiência coletiva herdada para subverter o uso cotidiano dos materiais, linhas e tecidos, mesclando-os com o desenho e fazendo uma releitura das fotografias de família. A construção dos retratos revela referências de matriz africana, presentes em toda sua produção.

Ursula Jahn mostra em 10 imagens e um vídeo uma narrativa ficcional que mistura relatos de familiares com seu inconsciente imagético para ressignificar seu sobrenome materno. Busca no ato simbólico de alteridade com sua mãe e irmã resgatar a história das mulheres de sua linhagem, como resistência afetiva sob o peso da estrutura patriarcal. Em seu trabalho explora questões como o lugar da mulher na sociedade, a percepção do corpo e a autoimagem.

“Essa forma de representação da figura feminina é antagônica aos cânones da história da arte, reafirmando uma contra narrativa que, ao mesmo tempo em que cultiva a memória, transborda o espaço privado para alçar outras dimensões públicas”, analisa a curadora.

as artistas

Mitti Mendonça (1990-) é artista têxtil e Ilustradora. Em 2017, criou o selo Mão Negra, para fomentar narrativas visuais a partir do bordado, técnica que circula há 100 anos entre as mulheres de sua família. Usufrui das técnicas de bordado, crochê, tapeçaria e ilustração digital. Suas obras abordam as poéticas negras, a memória, o afeto e a ancestralidade. Atua no circuito expositivo de arte e como ilustradora para marcas e projetos culturais. Além disso, ministra oficinas de bordado em projetos sociais. É natural de São Leopoldo-RS, onde reside e tem seu ateliê.

Ursula Jahn (São Sebastião do Caí, RS, 1994) é fotógrafa e artista visual graduada em Fotografia pela UNISINOS. Reside em Montenegro, onde desenvolve sua produção artística principalmente por meio de fotografias e vídeos que são marcados por um viés autobiográfico que explora questões feministas, principalmente no que diz respeito ao lugar da mulher na sociedade, à percepção do corpo e a autoimagem na fotografia.

curadora

Historiadora da arte e curadora, integra o grupo de pesquisa Mulheres nos Acervos,  sobre a presença de mulheres nas coleções públicas de artes visuais em Porto Alegre. Atuou como curadora de exposições no Margs, Macrs, Instituto de Artes Visuais do RS, Instituto de Artes da Ufrgs e Pinacotecas da Prefeitura de Porto Alegre. Também é produtora da feira de artes Papelera.


inauguração

9 de junho de 2021

visitação
Até 11 de julho, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, seguindo todos os protocolos sanitários contra a covid-19. Excepcionalmente no dia 11 de junho a galeria estará fechada.

local
Galeria Ecarta (Avenida João Pessoa, 943 – Porto Alegre – RS)

entrada franca