ARTISTA + ARTISTA
Andréa Brächer – Ecologias como Fabulações
Andréa Brächer incorpora, pela primeira vez, imagens generativas produzidas com Inteligência Artificial em seu processo de criação. Longe de atribuir autonomia à tecnologia, a artista evidencia a permanência da autoria por meio da seleção, da curadoria e das intervenções realizadas sobre as imagens geradas, articulando recursos computacionais e procedimentos artesanais.
As obras dão continuidade à pesquisa desenvolvida desde 2019 em torno das florestas como espaços de fabulação, onde referências aos contos de fadas e ao imaginário infantojuvenil se entrelaçam a paisagens habitadas por animais, casas, jardins e atmosferas de mistério. A partir desse universo, a artista constrói imagens que transitam entre o real e o imaginado, evocando travessias, narrativas e experiências sensíveis.
Após a geração das imagens, realiza um cuidadoso trabalho de pós-produção, empregando a cianotipia e a tonalização com pigmento de erva-mate, ampliando as possibilidades expressivas das composições. O resultado são obras que aproximam tecnologias contemporâneas e processos históricos da fotografia, produzindo paisagens de luminosidade etérea, superfícies granuladas e forte densidade poética, nas quais diferentes temporalidades e modos de fazer coexistem.
obras
20 fotografias em arte generativa e cianotipia sobre papel
a artista
Andréa Brächer
Andréa Brächer, 1969, Porto Alegre, Brasil. Vive e trabalha em Porto Alegre, Brasil.
Andréa Brächer é artista desde o fim dos anos 90. Suas exposições individuais mais destacadas ocorreram nos museus MARGS, MARCO e MAB. Tem trabalhos publicados sobre fotografia histórica/alternativa no Brasil e no exterior. Suas obras integram acervos públicos e coleções privadas. Sua proposta de base fotográfica busca refletir sobre o universo onírico, por vezes, fantasmático, de fabulações, invenções e de sonhos. No doutorado, Andréa desenvolveu uma produção voltada para o universo infantil a partir da leitura de contos de fadas e de horror, assim como da história da fotografia. Atualmente, é docente no Instituto de Artes/UFRGS. Concluiu o PhD em Poéticas Visuais no PPGAV do Instituto de Artes da UFRGS em 2009. Também é fundadora e coordenadora do Grupo Lumen – de Estudos em Processos Fotográficos Históricos e Alternativos – UFRGS.
curadoria
Niura A. Legramante Ribeiro
Doutora em História, Teoria e Crítica da Arte (PPPGAV/Instituto de Artes UFRGS com estágio doutoral Université Paris-I, Panthèon Sorbonne com Dr. Michel Poivert). Mestre em Artes (ECA/USP). Professora Associada Permanente no PPGAV/DAV/ UFRGS. Membro CBHA/ABCA/AICA. Vice-líder do Grupo de Pesquisa do CNPq “Deslocamentos da Fotografia na Arte”. Realiza curadorias e publicações em Fotografia e Arte Contemporânea.
As práticas colaborativas entre artistas e tecnologias continuam presentes na contemporaneidade, resultando em formulações estéticas. Pensar processos de criação engendrados por máquinas lembra o advento da fotografia, que, nos primeiros momentos, causou estranhamento ao ser tratada como imagem meramente técnica, sem considerar que as escolhas plásticas não eram uma captação automática da realidade, mas do artista. Na atualidade, as imagens generativas produzidas com Inteligência Artificial podem desafiar o conceito de autoria, mas continua sendo o artista a dar os comandos para execução.
Esta exposição de Andréa Brächer, ao mesmo tempo que comemora os cento e oitenta e sete anos da divulgação da fotografia, realizada em 19 de agosto de 1839, na Academia de Ciências de Paris, inaugura um marco na trajetória da artista, por ser a primeira vez que ela faz uso de imagens generativas. Embora os algoritmos operem com base em padrões matemáticos, parâmetros e regras computacionais, a poética resultante depende dos substratos oferecidos ao dispositivo eletrônico. O Programa Midjourney, que foi utilizado, transcodifica textos em imagens, por meio de palavras, para criar as figurações e aspectos técnicos: cenários de florestas com efeitos brumosos, o jardim, a localização dos animais nas composições – cervo, cisne, coelho, esquilo, gato, javali, lobo, macaco, pássaro, rato, sapo, suricato, unicórnio e urso; para algumas imagens, buscou-se a simulação do tipo de câmera analógica Nikon FM2, filme ISO 400, de média sensibilidade, para dar granulação. Como resposta, o programa disponibilizou vários registros visuais para a artista fazer uma curadoria, escolhendo aqueles que mais se adequem às suas intenções estilísticas.
Pode-se perguntar como a IA impacta formalmente o trabalho da artista? Andréa não faz uso automatizado das imagens resultantes, pois interfere com ações de pós-produção ao combinar o que há de mais tecnológico com procedimentos artesanais. Nesse sentido, potencializa as composições nos aspectos cromáticos, trabalhando as imagens com cianotipia, técnica de 1842, e finalizando-as com tonalização em marrom, por meio de banho com pigmento de erva-mate.
As florestas com fabulações não surgem com o uso dessas imagens generativas, pois desde 2019 a artista vem trabalhando com esse tema. Ela associa fotografias a referenciais literários do universo infantojuvenil dos contos de fadas em livros e filmes, como A Bússola de Ouro, O Jardim Secreto, dentre outros. As estórias com animais, casa de personagem, castelo e espada povoam os bosques. Os trabalhos criam atmosferas de mistérios com efeitos de desfocamentos, luminosidades etéreas em espaços sombrios de superfícies granuladas, que fazem lembrar fotografias do Pictorialismo e determinadas paisagens de Sally Mann. Travessias de hibridações entre o tecnológico e os processos alternativos criam olhares instigantes nas obras de Andréa Brächer.
Niura A. Legramante Ribeiro
Instituto de Artes/UFRGS
Curadora da exposição
Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro rio a passar (Mario Quintana) Amazônia/Rio Grande do Sul
Quando Mario Quintana fez o poema que dá nome à exposição, já havia escrito para uma abertura de Mostra no Theatro São Pedro: “Os trabalhos de Dulce Helfer não são uma simples fotografia. São imagens que tem vida interior”. Inspirada nos escritos do amigo, Dulce reuniu imagens do Rio Solimões, na Amazônia, com fotos das águas do Rio Grande do Sul, que estiveram por quatro meses no Margs, provando que o poeta tinha razão.
O som das águas tornam a mostra, uma experiência imersiva e sensorial. Com duas obras inéditas, as fotografias provam que os lugares tão distantes geograficamente no Brasil, tornam-se tão próximas quando falamos nas águas.
obras
Fotografias em cor e preto e branco em diferentes papeis
a artista
Dulce Helfer
É fotógrafa, jornalista e produtora cultural. Construiu uma trajetória marcante no fotojornalismo e na fotografia artística, com 27 anos de atuação no jornal Zero Hora e oito anos de trabalho na Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul. Ao longo da carreira, realizou dezenas de exposições individuais e coletivas, participou de 76 livros e recebeu cerca de 30 prêmios, entre eles importantes reconhecimentos nacionais e internacionais. Fotografou com exclusividade artistas como The Cure, B.B. King, Roberto Carlos, David Lynch e Fernanda Montenegro, além de desenvolver projetos e mostras dedicados à literatura, aos direitos humanos, ao meio ambiente e à valorização da cultura brasileira. Expôs em Paris por dois anos consecutivos, foi curadora artística do 1º Encontro França-Brasil em Porto Alegre e segue com uma produção ativa e relevante também em 2026: no dia 21 de maio, abriu exposição em homenagem aos 30 anos sem Caio Fernando Abreu, no IEL; em 23 de julho, inaugurou uma mostra sobre Mario Quintana, na Casa de Cultura Mario Quintana, dando início às comemorações dos 120 anos do poeta.
curador
Felipe Helfer
Formado em arquitetura pela Universidade Ritter dos Reis desde 1986. Mestre pelo programa de Pós-Graduação em Arquitetura – PROPAR – da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2003, vem desenvolvendo atividades docentes em universidades desde 1988, lecionando disciplinas que envolvam a criação e desenvolvimento de projetos arquitetônicos, programação visual e arquitetura efêmera em instituições como UNIRITTER , UNIFRA , UNISC , UNIVATES, UNISINOS e PUCRS. Coordena desde 2002 grupos de pesquisa acadêmica na área de cenografia e espaços eventuais, possuindo diversas publicações em revistas nacionais como Projeto/Design da Editora Arco e publicações internacionais como El mejor de diseño da America Latina e Caribe da RC Publications – New York 1995 – e Revista Casas da Editora CP 67 de Madrid em 1998. Desde 1985 vem coordenando escritório próprio de criação, desenvolvendo projetos na área de arquitetura comercial e efêmera, bem como programação visual, projetando e executando diversos projetos cenográficos para eventos empresariais tendo como clientes, grandes empresas nacionais e estaduais como Souza Cruz, Phillip Morris, Grupo Iguatemi, RBS, FIERGS, SESI, SEBRAE, SENAI, CNI, PMPA, CEEE, Parceiros Voluntários, Renner, Lojas Pompéia, entre outras. Desde 1989, faz cinema como diretor de arte em diversos curtas e longa- metragens trabalhando com diretores como Liliana Sulzbach, Flávia Seligman, Jaime Lerner, Murilo Salles, Beto Brandt e Henrique de Freitas Lima, ministrando em 2005/2006, a disciplina de Direção de arte do curso de Realização Audio-Visual da Unisinos, com ênfase em cinema. Em 1989 inicia sua participação em espetáculos teatrais Como cenógrafo, figurinista e diretor de arte ao lado de encenadores gaúchos como Dilmar Messias, Zé Adão Barbosa, Julio Conte, Luís Henrique Pallese e Camilo de Lélis. Na dança fez a arte de espetáculos de Eva Schull, Edson Garcia e Andréa Druck, recebendo diversas premiações como o Troféu Açorianos e Tibicuera em cenografia e figurinos. Desde 2000 coordena a Hestúdio onde, junto com uma equipe de arquitetos especializados e produtores de arte cria, desenvolve e executa projetos de arquitetura efêmera, comercial e cenografia, atuando também na direção de arte/cênica dos projetos.
Recortar o imaginário dos olhares de Dulce Helfer não é uma tarefa fácil. Com tantos registros de mundos do nosso tempo se torna dolorido escolher. A Natureza nos guiou! Através das fotografias das águas dos grandes rios brasileiros se enxergou a imensidão e a riqueza do nosso país! Através dessas fotografias se tenta aproximar lugares tão distantes- o Norte e o Sul, unindo o Brasil pela emoção de suas águas abençoadas.
Dulce como um Ser místico, Oxum, Yara… encanta as águas que nunca param de correr. Ao avistá-las, ela as paralisa e eterniza imagens que nunca mais existirão. Imortalizados pelas lentes dessa fada, se imobilizam, tornando-se um estado presente. Não mais um outro sempre a passar mas aquele que fica para sempre dentro de uma imagem de
Beleza infinita. Dulce voa, olha livre admirando o belo e o sublime. É como sua garça emocionada de Ser e de estar no seu Lugar!
data
abertura
18 de agosto de 2026, 19h
Conversa com artistas 17h
visitação
até 20 de setembro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 18h, inclusive feriados
Entrada franca
Edital 2026
Comissão curatorial




