4º Festival de Percussão Ecarta Musical
Tambores do mundo em quatro sábados de música, encontros e experiências
A Fundação Ecarta transforma sua sede em um grande território de ritmos durante a 4ª edição do Festival de Percussão Ecarta Musical, nos dias 10, 17, 24 e 31 de outubro. Serão quatro sábados dedicados à diversidade da percussão, reunindo artistas, músicos e pesquisadores em oficinas que atravessam diferentes culturas e tradições.
Do sopapo afro-gaúcho ao djembê africano, do pandeiro ao handpan, do derbake ao bombo leguero, da castanhola aos tambores orientais e à cerâmica sonora, a programação convida músicos, estudantes e pessoas interessadas em música a experimentar instrumentos, conhecer suas histórias e descobrir diferentes possibilidades do ritmo.
A quarta edição presta homenagem ao percussionista Fernando do Ó, referência da música gaúcha e brasileira e mestre de diferentes gerações. A curadoria é do percussionista Cândido de Castro.
O encerramento será no dia 31 de outubro, às 18h, com o show Tambores do Mundo.
HOMENAGEADO
Fernando do Ó
Percussionista desde 1980, Fernando do Ó construiu uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à música. Em 1982, participou do Jazz Fest Berlin, no teatro Philharmonie, em Berlim, Alemanha.
Ao longo da carreira, trabalhou com artistas gaúchos como Geraldo Flach, Renato Borghetti, Frank Solari, Nei Lisboa, Os Serranos, Os Fagundes e 3ª Dimensão, entre muitos outros. Também atuou com nomes nacionais e internacionais como Ivan Lins, Toninho Horta, Adriana Calcanhotto, Guinga, Eva Yerbabuena, Al Di Meola, Estrella Morente, Egberto e Bianca Gismonti, Nana Caymmi e Roberto Carlos.
Sua trajetória levou a percussão brasileira a diferentes países da América do Sul, América Central, Europa e Oceania.
Também desenvolveu importante trabalho de formação, ministrando oficinas de percussão na UFRGS, UPF, UFPel, UFSM e em escolas do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre.
Foi homenageado pela Coordenação de Música de Porto Alegre, em 2013; pelo 2º Encontro Nacional Bateras do Sul, em Canela, em 2019; e pelo Festival de Música de Nova Prata, em 2025. Participou do POA Jazz em 2019, com o grupo Raiz de Pedra, e em 2023, com o grupo de Carlos Badia.
Foi ainda contemplado pelos projetos Trajetórias, Marco Polo e Funarte. Neste último, conquistou o terceiro lugar nacional com trabalho em vídeo dedicado à percussão brasileira. A homenagem do Festival reconhece sua contribuição à música, à formação de percussionistas e à difusão da percussão brasileira.
OFICINAS
10 DE OUTUBRO
10h30 | Percussão Oriental
Uma aproximação com instrumentos, técnicas e ritmos da percussão oriental, explorando diferentes possibilidades sonoras e culturais dessa tradição.
Cândido de Castro
Percussionista, produtor, pesquisador e facilitador cultural, Cândido de Castro desenvolve pesquisas sobre instrumentos e tradições percussivas orientais, persas e celtas. Teve Fernando do Ó como seu principal mestre entre 2001 e 2003, período em que estudou percussão e ritmos brasileiros.
É criador de projetos como Tambor Falante, voltado a jovens da periferia de Viamão; O Feminino e o Tambor; e Tambores do Oriente, dedicado ao estudo da percussão persa. Também idealizou o Festival Cult Circuito e é curador do Festival de Percussão da Fundação Ecarta.
Atua em diferentes formações musicais e já participou de trabalhos com artistas como Benjamin Taubkin, Nelson Coelho de Castro, Fernando Sessé, Gelson Oliveira, Marcel Powell, Hique Gomez e Pingo Borel, entre outros.
Participou, em 2024, 2025 e 2026, do festival Tamburi Mundi, em Freiburg, na Alemanha, onde aprofundou estudos com percussionistas de diferentes países e tradições. Também realizou estudos na Turquia. É estudante de Licenciatura em Música na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).
14h | Snujs – ritmos e práticas
Um encontro dedicado aos snujs, pequenos címbalos metálicos tradicionalmente associados à dança árabe, abordando ritmos, técnicas e práticas com o instrumento.
Fernanda Mansur
Bailarina, coreógrafa, professora e pesquisadora da dança árabe, Fernanda Mansur possui mais de 30 anos de trajetória dedicada à arte e à cultura. Iniciou sua formação artística ainda jovem e, aos 15 anos, já ministrava aulas de danças gaúchas. Posteriormente, especializou-se em Dança do Ventre, construindo uma carreira marcada pela pesquisa, ensino, criação e atuação em palcos nacionais e internacionais. Em 2008, iniciou carreira internacional em turnês por países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Líbano, Omã, Marrocos, Tunísia e Síria.
Em 2013, retornou ao Brasil e fundou sua escola de Dança do Ventre, formando centenas de alunas e criando a Companhia Al Farah, premiada em festivais, entre eles o Festival de Dança de Joinville. Em 2019, voltou a residir no Líbano, ampliando sua experiência profissional no Oriente Médio. Atualmente atua como professora, coreógrafa e artista em espetáculos, oficinas e projetos que valorizam a cultura árabe e a dança como expressão artística, cultural e de identidade.
16h30 | Bombo Leguero
Em roda, os participantes desenvolvem a linguagem coletiva do bombo leguero, passando por toques tradicionais como zamba e chacarera, sapateios e repiques, além de experimentar formas de interpretar ritmos da cultura gaúcha. Não é necessária experiência prévia. Instrumentos serão disponibilizados.
Pedro Borghetti
Músico, compositor e produtor, Pedro Borghetti recebeu o Prêmio Açorianos de Música 2020 na categoria Compositor MPB por seu primeiro trabalho solo, Linhas de Tempo.
Participou da trilha sonora do longa-metragem Legalidade e produziu a trilha da peça infantil De La Mancha: O Cavaleiro Trapalhão. Em 2022, assinou a produção musical do álbum Os Poetas Nunca Dormem. Em 2023, lançou seu segundo trabalho solo, Pendenga, e, em 2025, o trabalho acústico Desavenças.
10h30 | Pandeiro Moderno
O encontro aborda o Pandeiro Moderno, técnica difundida pelo percussionista Marcos Suzano que ampliou as possibilidades do pandeiro para além dos ritmos tradicionais brasileiros, aproximando-o também da música pop, contemporânea e do jazz.
Serão trabalhadas técnica, ritmos brasileiros e de outras culturas, padrões contemporâneos e possibilidades de criação. Os participantes podem levar qualquer tipo de pandeiro, preferencialmente de couro. Alguns instrumentos serão disponibilizados.
Fernando Sessé
Nascido em Porto Alegre, Fernando Sessé começou a tocar bateria aos 12 anos, embora sua relação com a percussão tenha começado ainda na infância. Estudou no Rio de Janeiro com Robertinho Silva e Marcos Suzano e na Escola de Música Villa-Lobos. De volta a Porto Alegre, em 2002, passou a tocar e gravar com artistas de diferentes estilos, entre eles Adriana Deffenti, Marisa Rotenberg, Gisele De Santi, Mário Falcão, Caio Martinez, Nei Lisboa, Tati Portella e Elias Barboza.
Em 2014, lançou seu primeiro disco, Em Frente, e, em 2017, Rio Comprido, com Robertinho Silva. Seu trabalho caracteriza-se pela combinação de instrumentos eletrônicos e acústicos. É bacharel em Música Popular pela UFRGS.
14h | Derbake e ritmos árabes
Uma imersão no derbake, passando pelos principais ritmos da música árabe, suas origens e acentuações, formas de execução e contagem, história do instrumento e sua presença na música contemporânea.
Fabiano Derbak
Percussionista, iniciou sua trajetória profissional em 1998 por meio do flamenco e da música árabe. Em 2001, formou o primeiro grupo de música árabe do Sul do Brasil e lançou CD e DVD didáticos dedicados aos ritmos árabes. Trabalhou na China, em 2006 e 2007, apresentando-se em Macau, além de atuar no Uruguai e em diversas cidades brasileiras. Ao longo da carreira, apresentou-se com artistas do Oriente Médio, entre eles Mohamad Azra, Mohamad Ghareb e Fady Harb.
16h30 | Sopapo
O sopapo é um tambor de grandes dimensões e profundas raízes na cultura afro-gaúcha, ligado historicamente às antigas charqueadas.
A oficina aborda sua história, construção tradicional, técnicas de toque e a sonoridade grave e marcante do instrumento. A prática coletiva valoriza a herança negra na formação musical do Rio Grande do Sul e a presença contemporânea do sopapo nos batuques, carnavais e diferentes manifestações culturais.
Edu do Nascimento
Produtor cultural, músico, educador social e tocador de sopapo, Edu do Nascimento é fundador do Ponto de Cultura Cabobu e possui longa trajetória ligada à cultura negra, à educação e às manifestações populares.
Tocou por mais de 15 anos com Mestre Giba Giba, seu pai, e fundou a Banda Lugarejo para preservar e difundir seu legado. Também é fundador do grupo Sopaparia, ao lado de Mestre Paulo Romeu, do Afro-Sul, e do bloco Cuidado Que Já Nos Viram.
Participou de projetos no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, escolas e comunidades e de encontros de mestres em diferentes estados brasileiros. É também ator, bonequeiro, artesão e Mestre Griô, com trajetória de décadas em projetos culturais e educativos.
10h30 | Ritmo & Handpan
Experiência destinada a músicos e também a pessoas sem formação musical. A primeira parte explora recursos de percussão corporal, consciência rítmica, diferentes compassos e dinâmicas coletivas. Depois, o handpan é apresentado como instrumento capaz de desenvolver o discurso rítmico e ampliar as possibilidades de interação musical.
Pablo Vares
Músico, compositor e multi-instrumentista uruguaio-brasileiro, Pablo Vares possui 18 anos de experiência e dedica sua pesquisa especialmente ao violão flamenco e ao handpan.
Sua trajetória inclui apresentações na Alemanha, Portugal, Argentina, Uruguai e em diferentes regiões do Brasil. É pioneiro na fusão de ritmos do flamenco aplicados ao handpan e possui um modelo próprio do instrumento lançado no mercado.
Já ministrou oficinas em universidades de Brasília e Salvador, no Instituto Cervantes, com apoio da Embaixada da Espanha, e participou da terceira edição do Festival de Percussão da Fundação Ecarta.
14h | Castanholas no choro e na MPB
Castanhola como você nunca viu: a proposta é levar o instrumento para o universo do choro e da MPB. Os participantes terão contato com tipos de toque, exercícios técnicos e construção de arranjos. Não é necessário possuir castanholas para participar.
Ana Medeiros (La Negra)
Bailarina de flamenco e percussionista, Ana Medeiros, La Negra, dedica-se há mais de 30 anos ao estudo e ensino da castanhola e da dança flamenca, ministrando aulas, oficinas e cursos no Brasil e na Espanha.
Recebeu diversas premiações, entre elas Melhor Bailarina em 2012, Destaque Flamenco em 2017 e Melhor Espetáculo no Prêmio Açorianos em 2021. Em 2023, recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Bailarina Flamenca.
Também foi contemplada com bolsa de estudos em Madri e desenvolveu um método pioneiro de toque e arranjo musical para castanholas, aliando sua experiência como bailarina à utilização do instrumento como solista.
Em 2019, lançou com a Camerata Violões de Porto o álbum Carmen & os Violões, tornando-se a primeira concertista de castanholas e bailaora flamenca a gravar um disco no Rio Grande do Sul.
16h30 | Laboratório de Ritmos: Djembê e Dununs
É dedicado à percussão tradicional da África Ocidental. Os participantes conhecerão a história e as funções desses instrumentos e experimentarão técnicas básicas, sonoridades, pulsação e escuta coletiva. A prática terá como um dos eixos o Kuku, ritmo tradicional da região da Alta Guiné, trabalhado a partir da transmissão oral, repetição, memória, corpo e execução coletiva.
Loua Pacôm Oulaï
Dançarino, percussionista, ator e contador de histórias, Loua Pacôm Oulaï nasceu na Costa do Marfim, em uma família de artistas tradicionais, e possui raízes nas tradições Wé, Mandé e Akan.
É licenciado em Música – Práticas Coletivas pela UFRGS e possui formação profissional em Teatro, Dança e Comunicação Oral pelo INSAAC, em Abidjan, Costa do Marfim.
Desde 2010, atua como instrutor de percussão em centros culturais e espaços artísticos. Estudou com mestres da Costa do Marfim, Burkina Faso e Guiné e integrou companhias de dança em seu país.
Reside no Brasil desde 2016, atuando na difusão das culturas africanas por meio da música, dança, contação de histórias, espetáculos, oficinas e palestras. Em Porto Alegre, foi instrutor de percussão e dança no Centro Cultural Afro-Sul Odomodê entre 2016 e 2021.
10h30 | Cerâmica Sonora
A oficina de Cerâmica Sonora propõe um encontro entre arte, som e matéria. Os participantes serão convidados a criar seus próprios chocalhos, instrumentos ancestrais presentes em diferentes culturas como formas de expressão, comunicação e ritual. A atividade apresenta técnicas básicas de modelagem manual e explora o som como linguagem artística, estimulando criação autoral, percepção, presença e expressão. Mais do que produzir um objeto, a proposta é experimentar a criação sonora a partir do barro.
Ojo Ateliê
Idealizado pelas artistas Fer e Fiva, o Ojo Ateliê pesquisa a cerâmica em suas diferentes possibilidades: ritual, sonora, artística e funcional. O trabalho aproxima manualidade, arte e natureza, explorando desenho, escultura, construção e processos de transformação da matéria.
18h | Show Tambores do Mundo
Depois de quatro sábados percorrendo instrumentos, ritmos e culturas, o 4º Festival de Percussão Ecarta Musical encerra sua programação com o show Tambores do Mundo, celebrando a diversidade da percussão e o encontro entre diferentes tradições musicais.
datas
10, 17, 24 e 31 de outubro
curadoria
Cândido de Castro
valores
01 oficina – R$ 140,00
02 oficinas – R$ 140,00
03 oficinas – R$ 130,00



