Instituto Caldeira recebe exposição “Fogo de Pátio”, de Xadalu Tupã Jekupé

 

Mostra parte do fogo como elemento de encontro, transmissão de saberes e tecnologia ancestral para refletir sobre a cosmologia Guarani e a resistência indígena

 

No dia 21 de setembro, às 18h, o Espaço Bienal, no prédio Guahyba do Instituto Caldeira, recebe o lançamento da exposição “Fogo de Pátio” (Tatá Rupa), de Xadalu Tupã Jekupé. A mostra, que tem entrada gratuita, ficará aberta à visitação do público até janeiro de 2027. Apresentada pelo Instituto Caldeira, Fundação Bienal do Mercosul e Ministério da Cultura, em parceria institucional com a Galeria Ecarta, a iniciativa reúne novos trabalhos comissionados, pinturas, vídeos e instalações e propõe ao público uma imersão nas investigações do artista sobre as cosmologias Guarani, articuladas aos processos históricos de apagamento e resistência indígena.

O próprio título da exposição remete ao lugar do fogo, ao espaço onde a fogueira se estabelece e em torno do qual se constroem relações, encontros e formas de habitar. Para as comunidades Guarani, o fogo participa da organização da vida e é junto a ele que diferentes gerações se reúnem e os saberes são transmitidos. Mais do que um elemento presente no cotidiano, ele é compreendido como uma tecnologia ancestral de produção e continuidade do mundo.

É desse pátio, e não de um museu, que Xadalu parte para construir a exposição. Um dos eixos centrais da mostra é a série Arandu Tatá (Sabedoria do Fogo), na qual o fogo aparece como entidade, presença material e fonte de conhecimento. A partir de vivências e diálogos tecidos ao redor de fogueiras nas aldeias, o artista transforma esses encontros em matéria de criação e propõe uma reflexão sobre o próprio conceito de tecnologia.

Nesse contexto, os saberes ancestrais são apresentados como formas legítimas de inovação. A proposta desloca a ideia de que inovar necessariamente significa romper com o passado e aponta para conhecimentos que atravessam séculos e podem contribuir para imaginar outros futuros. O fogo aparece, assim, como força articuladora da exposição, mantendo em diálogo ancestralidade e contemporaneidade.

A mostra é patrocinada pelo TMSA e tem apoio da Appmax, Box Print e Unifértil.

Uma exposição para ser atravessada

“Fogo de Pátio” foi concebida como uma experiência sensorial. Em vez de um percurso cronológico, a exposição propõe uma travessia pelos diferentes ambientes, nos quais luz, som, escala, textura e movimento contribuem para aproximar o visitante das camadas da cosmologia apresentada no mural.

A intenção é que a obra seja percebida não apenas intelectualmente, mas também através do corpo. Os ambientes criam diferentes possibilidades de aproximação e fazem com que o visitante percorra a exposição a partir de uma experiência marcada por sensações e relações entre espaço, matéria e movimento.

A mostra também estabelece uma relação direta com a trajetória recente de Xadalu no Instituto Caldeira. Em 2025, a fachada do espaço tornou-se suporte para o mural “Tatá Nhane Mbojave Joe – O fogo nos reuniu outra vez”, inspirado na cosmologia Guarani Mbya. A obra transformou a antiga arquitetura industrial em um território de encontro, memória e pertencimento.

Ambos os trabalhos se inserem no projeto Horizontes Urbanos, iniciativa do Instituto Caldeira voltada à transformação do 4º Distrito e à criação de novos diálogos entre arte, cidade, cultura e inovação.

Xadalu Tupã Jekupé: arte, memória e ancestralidade

Nascido em Alegrete (RS), Xadalu Tupã Jekupé é artista indígena de origem Guarani. Sua prática artística se ancora no legado do Barroco Guarani Missioneiro e nos processos de catequização e apagamento cultural no Pampa.

Por meio de pintura, serigrafia, fotografia e instalação, o artista constrói narrativas que entrelaçam mito, espiritualidade e história, tensionando a colonialidade e afirmando a contemporaneidade da arte indígena.

Xadalu já realizou residências na França, Espanha, Itália e Chile, além de passagens pelo Collegium, em Arévalo, e pelo Humboldt Forum, em Berlim. Suas obras integram coleções como a Coleção de Arte do Tesouro da França, o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Museu de Arte do Rio, o Museu das Culturas Indígenas, a Fundação Iberê Camargo e o Collegium.

 

Serviço

 

Exposição “Fogo de Pátio” (Tatá Rupa), de Xadalu Tupã Jekupé

Lançamento: 21 de setembro, às 18h

Visitação: Aberta ATÉ JANEIRO DE 2027

Local: Espaço Bienal, no Prédio Guahyba do Instituto Caldeira (Tv. São José, 455 – Navegantes, Porto Alegre – RS)

Entrada: Gratuita

Realização: Instituto Caldeira, Ministério da Cultura e Fundação Bienal do Mercosul

Parceria institucional: Galeria Ecarta

Patrocínio: TMSA

Apoio: Appmax, Box Print e Unifértil

 

Sobre o Instituto Caldeira

O Caldeira é um instituto privado, sem fins lucrativos, dedicado ao fomento à inovação, aos negócios e à educação como motores dos desenvolvimentos econômico e social. Como articulador de um ecossistema, transforma conexões em impacto real. Nascido em Porto Alegre e conectado às principais redes globais, reúne empresas, startups, universidades, poder público e sociedade civil. Sua atuação contribui para fortalecer a competitividade do Brasil e impulsionar o Rio Grande do Sul como um polo de inovação, negócios e educação conectado ao mundo.

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Sobre a Fundação Bienal do Mercosul

Criada em 1996, a Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul é uma instituição

sem fins lucrativos que desenvolve projetos culturais e educacionais na área das artes visuais. Com sede em Porto Alegre, tem como missão aproximar a produção artística contemporânea da comunidade, com ênfase em ações educativas, acesso democrático à cultura e formação de públicos. A instituição é responsável pela realização da Bienal do Mercosul, reconhecida como um dos principais eventos de arte contemporânea da América Latina.

Sobre a Galeria Ecarta

Criada em 2005, a Galeria Ecarta é um dos principais projetos da Fundação Ecarta e atua na promoção e difusão das artes visuais. Com sede em Porto Alegre, o espaço recebe exposições de artistas locais, nacionais e internacionais, contemplando diferentes linguagens da arte contemporânea e aproximando a produção artística do público. Ao longo de duas décadas, realizou mais de 150 exposições, reunindo 740 artistas e 126 curadores, com mais de 34 mil visitantes.

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