Movimento pela curricularização entrega pauta na abertura do Cobem 2026

Entrega de documento foi feita por uma comitiva aos dirigentes do encontro

 

Uma comitiva da Fundação Ecarta entregou ao 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM) um documento que defende a inclusão de conteúdos sobre doação e transplantes na formação médica.

O manifesto foi recebido pelo presidente da Federação Mundial de Educação Médica, Ricardo León-Bórquez, e pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), Estevão Toffoli Rodrigues.

A mobilização nacional foi proposta pela Fundação Ecarta, por meio do Cultura Doadora, e pelo Coletivo de Ligas Acadêmicas de Transplante, com adesão de dezenas de entidades de diferentes regiões do país.

León-Bórquez destacou que a lacuna na formação sobre o tema também é enfrentada por outros países e saudou a iniciativa.

O documento não propõe um currículo único, mas defende que conteúdos relacionados a essa terapêutica de alta complexidade sejam incorporados à formação médica, respeitando a autonomia das instituições de ensino.

Para o presidente da Ecarta, Marcos Fuhr, uma política pública da dimensão do Sistema Nacional de Transplantes precisa encontrar correspondência na formação dos profissionais responsáveis por fazê-lo funcionar. Ele participou da entrega com a diretora Valéria Ochôa e Antonieta Mariante, da equipe colaborativa do Cultura Doadora.

A ABEM já havia demonstrado atenção à pauta em reunião na Ecarta e durante o Seminário Nacional realizado em junho, em Porto Alegre.

A ação integra o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.

 

CARTA AO COBEM 2026

À coordenação do 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica – COBEM 2026

 

O Movimento pela Curricularização dos Conteúdos sobre Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos nos Cursos da Saúde, que reúne entidades, instituições e organizações comprometidas com a formação em Saúde e com o fortalecimento da política de doação e transplantes no Brasil, dirige-se aos participantes do 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica – COBEM 2026, para propor a incorporação desta agenda ao debate nacional sobre a qualidade da formação médica.

O Brasil – como é de amplo conhecimento -, possui o maior programa público de transplantes do mundo. Ainda assim, mais de 80 mil pessoas estão em lista por um transplante no país e milhares morrem à espera de um órgão a cada ano.

Ampliar a doação e os transplantes exige infraestrutura e recursos, mas também profissionais preparados técnica, ética e humanamente para atuar em todas as etapas desse processo.

Compreender protocolos, identificar e reconhecer potenciais doadores, diagnosticar a morte encefálica (ME), acolher e comunicar-se com familiares em momentos de extrema vulnerabilidade, conhecer os aspectos éticos e legais e atuar de forma integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Sistema Nacional de Transplantes são competências que precisam estar presentes na formação médica.

O Movimento, formado por instituições de ensino, entidades representativas de profissionais da Saúde, organizações da sociedade civil, estudantes, gestores públicos e integrantes do Sistema Nacional de Transplantes de diferentes regiões do país, defende a inclusão dos conteúdos relacionados à doação e ao transplante de órgãos e tecidos nos cursos da área da Saúde, por meio de disciplinas, práticas interdisciplinares, atividades de extensão e experiências formativas articuladas com o sistema de saúde.

Não se propõe um modelo curricular único, mas a necessária inclusão desses conteúdos relacionados a essa terapêutica de alta complexidade, respeitando a autonomia das instituições de ensino e as diferentes possibilidades de inserção nos currículos dos cursos de Medicina.

Por isso, os participantes do Movimento conclamam a Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) e os participantes do COBEM 2026 a contribuírem para que esta pauta integre de forma permanente a agenda da formação médica. Assim como para a construção de um diálogo nacional com os ministérios da Educação e da Saúde, instituições de ensino, Sistema Nacional de Transplantes, entidades científicas e profissionais, estudantes, gestores públicos e sociedade civil.

Uma política pública da dimensão do Sistema Nacional de Transplantes precisa encontrar correspondência na formação dos profissionais responsáveis por fazê-lo funcionar.

Incluir os conteúdos sobre doação e transplantes na formação é qualificar a educação médica, fortalecer o SUS e aprimorar todo o sistema hospitalar.

Cabe destacar que a Abem já demonstrou sensibilidade para o acolhimento deste pleito em encontros e no Seminário Nacional sobre o tema – realizado em junho de 2026, em Porto Alegre – promovido pela Fundação Ecarta e pelo coletivo de Ligas Acadêmicas de Transplantes, o que anima e substantiva a importância desta pauta neste Congresso.

 

Marcos Júlio Fuhr

Pela Coordenação do Movimento pela Curricularização dos Conteúdos sobre Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos nos Cursos da Saúde

 

Porto Alegre, setembro de 2026