CULTURA DOADORA

Seminário nacional defende inclusão da doação e transplante nos currículos da saúde 

 

Cerca de 80 mil brasileiros aguardam em lista por um transplante. Entre eles, milhares não chegarão a realizar o procedimento. Segundo dados apresentados durante o Seminário Nacional pela Curricularização dos Conteúdos sobre Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos nos Cursos da Saúde, aproximadamente 15% das pessoas inscritas em lista morrem antes de receber um órgão. Entre pacientes renais em diálise, a mortalidade pode chegar a 20%.

Esses dados ajudam a compreender por que a qualificação dos profissionais da saúde foi apontada como um elemento fundamental para ampliar a doação de órgãos, elevar o número de transplantes e preservar vidas. Essa foi a principal conclusão do encontro realizado nesta quinta-feira, 19, no Palácio do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

O Seminário reuniu representantes de entidades científicas, conselhos de saúde, organizações de procura de órgãos, professores, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, biomédicos, estudantes e gestores públicos de diferentes regiões do país.

Ao final da atividade, os participantes aprovaram a Carta de Porto Alegre, documento que defende a inclusão permanente, transversal e estruturada dos conteúdos relacionados à doação e aos transplantes nos currículos dos cursos da saúde.

A iniciativa integra o movimento nacional lançado em 2025 pela Fundação Ecarta, por meio do projeto Cultura Doadora, e pelo Coletivo de Ligas Acadêmicas de Transplantes do Rio Grande do Sul. A íntegra do Seminário pode ser acessada no Canal da Fundação Ecarta no Youtube.

A cobertura completa do evento pode ser conferida neste link do jornal Extra Classe:

https://url.extraclasse.org.br/g0dz6j

Abaixo, a Carta de Porto Alegre: 

 

Carta de Porto Alegre

Reunidos em Porto Alegre, no dia 19 de junho de 2026, no Seminário Nacional pela Curricularização dos Conteúdos sobre Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos nos Cursos da Saúde, dirigentes de instituições de ensino, entidades associativas de profissionais da Saúde, organizações da sociedade civil, estudantes, gestores públicos e integrantes do Sistema Nacional de Transplantes de diferentes regiões do Brasil reafirmaram seu compromisso com a luta pela qualificação da formação profissional  e pela potencialização do Sistema Nacional de Transplantes.

O Brasil possui o maior programa público de transplantes do mundo. Ainda assim, milhares de pessoas seguem em lista, aguardando pela doação de um órgão que viabilize e qualifique sua condição de vida.

O fortalecimento da cultura da doação passa necessariamente pela formação dos profissionais que estarão na linha de frente de todas as etapas do processo de transplante. Não é possível ampliar o acesso aos transplantes sem investir na formação humana, ética e técnica dos futuros profissionais.

Nessa perspectiva, os participantes do Seminário reivindicam a inclusão dos conteúdos relacionados à doação e ao transplante de órgãos e tecidos nos currículos dos cursos da área da saúde, por meio de disciplinas, práticas interdisciplinares, atividades de extensão e experiências formativas conectadas ao Sistema Nacional de Transplantes e ao próprio Sistema Único de saúde (SUS).

Conclamam o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde, as instituições de educação superior, os conselhos profissionais, as entidades científicas e os gestores públicos a construírem, de forma articulada, diretrizes que tornem essa agenda uma política nacional de formação.

Porto Alegre, junho de 2026.