Sobredimensões
A exposição explora o universo inquieto da artista, que busca provocar o espectador para além das dimensões da pintura. Cria um modelo de universo particular, atravessado por questões da física.
A mostra reúne mais de 40 obras, entre pinturas acrílicas sobre tela, trabalhos em papel em técnica mista e recortes diversos utilizados como ferramentas na realização de suas próprias pinturas. Todas as obras são inéditas e pertencem a um período de oito anos recentes de produção, entre 2019 e 2026.
obras
22 pinturas na técnica acrílica sobre tela;
21 trabalhos em papel em técnica mista (uso de desenho, recorte e pintura);
02 montagens em sanduíche de acrílico com recortes de papéis diversos (utilizados como ferramenta de trabalho para realização de pinturas).
a artista
Karen Axelrud
Karen Axelrud, 1965, Porto Alegre, Brasil.
Desenvolve estudos e prática no campo da arte desde 2005, trabalha com mídias diversas como pintura, gravura em metal, desenho, recorte, colagem, fotografia e vídeo. Pós-graduada em Artes Visuais pela Universidade Feevale em Pintura, Desenho e Instalação (2012) e formada em arquitetura e urbanismo pela UFRGS (1990). Realizou exposições individuais em instituições culturais e museus tais como: Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, Museu do Paço Municipal de Porto Alegre – MAPA, Museu da Gravura da Cidade de Curitiba – MGCC, Pinacoteca da Universidade FEEVALE, Galeria de Arte da Universidade de Caxias do Sul – UCS, Espaço Cultural da Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM-SUL. Participou de exposições coletivas em espaços culturais no Brasil e no exterior como no MoMa Learning Center em Nova Iorque, NY, na galeria CaldwellSnyderGallery em São Francisco, Califórnia, na Fundação Iberê Camargo, Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, Museu do Trabalho e Museu de Arte Contemporânea em Porto Alegre/RS, além da Casa da Cultura em Caxias do Sul. Indicada ao Prêmio Açorianos/2022 e 2024, possui obras em coleções públicas e privadas contemporâneas. Vive e desenvolve seu trabalho artístico em Porto Alegre/RS.
curadoria
Laura Cattani
Laura Cattani, 1980.
Artista, curadora independente, pesquisadora e gestora cultural. É mestre (2012) e doutora (2018) em Poéticas Visuais pelo PPGAV/IA/UFRGS, com pós-doutorado (2020) no PPGAV/UnB. Realizou exposições e projetos em diversas cidades do Brasil, Uruguai, Argentina e França, além de atuar em instituições culturais e acadêmicas. Atuou como curadora adjunta na 13a Bienal do Mercosul. Vive e desenvolve seu trabalho em Porto Alegre/RS.
Sobredimensões
Uma frase desmedida inaugura este texto: a célula de um corpo, como um neurônio, e o sistema solar, no qual a Terra orbita, têm quase o mesmo tamanho diante de um universo infinito. Ambos são ínfimas frações de uma totalidade. O corpo não alcança a experiência do infinito; a consciência, quando confrontada com ele, experimenta vertigem, um temor quase religioso.
Sobredimensões, título da exposição de obras recentes de Karen Axelrud, é uma palavra-valise precisa para abarcar as contradições que as obras convocam. O termo paira onde as escalas se desfazem e, ao mesmo tempo, se entranha no corpo. As obras parecem feitas para um observador não humano, desprovido de um centro estável, de uma hierarquia segura entre figura e fundo, cor e textura, forma e detalhe, como se uma visualidade de outra ordem as unisse. Para nossos olhos, a forma não se estabiliza: o olhar hesita, retorna, perde-se. As obras sustentam, em um mesmo acorde, orientação e perda, método e excesso.
Há nelas um sistema de cópia, repetição e inversão. Seus instrumentos principais são, de um lado, a ordem, por meio de estênceis, mapas, escalas, representações do planeta e do cosmos, assim como elementos da arquitetura; de outro, o caos, que emerge da repetição e da sobreposição desses elementos, revelando a instabilidade dos sistemas que pretendem ordenar o mundo. A disciplina não elimina o descontrole; pelo contrário, é o que lhe oferece passagem. Os estênceis, normalmente associados à precisão, tornam-se aquilo que permite a entrada do imprevisto: o borrão acontece, a falha se inscreve, a cor, que deveria permanecer contida, transborda. Em Sobredimensões, repetir não é reiterar o mesmo, mas forçar a forma até que dela emerja algo até então despercebido, como uma janela que se abre sobre outras dimensões possíveis da realidade.
Laura Cattani
data
abertura
14 de abril de 2026, 19 horas
conversa com artistas às 17h
visitação
até 17 de maio de 2026, de terça a domingo, das 10h às 18h
entrada franca
