Dia Mundial do Rim

O mundo da hemodiálise e do transplante renal

Dados do Ministério da Saúde de 2 de março de 2026, indicam que 48.280 pessoas estão em lista de espera por um órgão sólido, dos quais 44.679 esperam por um rim. Conforme dados de 2025 da Central de Transplantes do RS, a lista de espera por órgãos sólidos é de 1.784, sendo que 1.497 aguardam um rim.

Com 144 mil pacientes renais crônicos em tratamento, sendo 85% deles financiados pelo SUS, e, segundo dados da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante – ABCDT, a tabela de tratamento não é atualizada há 4 anos.

painelistas

Médica Nefrologista da Unidade Carlos Gomes – Med Center e Nefrologista membro do corpo clínico do Hospital Moinhos de Vento. Especialista e mestre em Nefrologia pela Ufrgs

Médico Nefrologista especialista em clínica médica, professor de Nefrologia na Ufcspa e médico unidade de transplante renal na Santa Casa de Misericórdia de Porto alegre.

órgão mais transplantado

A doença renal crónica (DRC) é um desafio de saúde global cada vez mais importante, afetando 1 em cada 10 pessoas em todo o mundo. Por ser uma doença frequentemente silenciosa nas suas fases iniciais, a DRC pode evoluir de forma imperceptível até provocar graves consequências para a saúde, afetando profundamente os próprios doentes, bem como as suas famílias.

A doença aumenta significativamente o risco de complicações cardiovasculares, reduz a qualidade de vida e pode progredir para insuficiência renal, fase em que a sobrevivência depende de terapias de substituição renal, como a diálise ou o transplante.

A deteção precoce da DRC permite, com análises simples de sangue e urina, não invasivas e de baixo custo, identificar problemas renais e, consequentemente, intervir de forma a retardar a progressão da doença. No Brasil, a primeira causa de DRC é a hipertensão arterial e a segunda é o diabetes.

As alterações ambientais estão agora a agravar este problema. Existem riscos relacionados com o clima, como a poluição do ar, o stress térmico, a desidratação e os eventos climáticos extremos que aumentam os riscos de DRC e aceleram a sua progressão.

Baseado em uma pesquisa realizada em um hospital privado do Brasil no ano de 2025, o resultado indicou que, no período dos quatro anos coberto por este estudo, o transplante renal de doador falecido gera uma economia, por paciente, de R$ 37 mil e R$ 74 mil reais, em relação à hemodiálise e à diálise peritoneal, respectivamente.

Quanto ao transplante renal de doador vivo, as economias são ainda maiores: R$ 46 mil e R$ 82 mil reais em relação à hemodiálise e à diálise peritoneal, respectivamente. Este resultado, aliado a análises de sobrevida e qualidade de vida, pode caracterizar o transplante renal como a melhor alternativa do ponto de vista financeiro e clínico, auxiliando na formulação de políticas públicas relacionadas com os transplantes de órgãos no Brasil.

 data
12 de março de 2026, 19h

transmissão
ao vivo pelo canal da Fundação Ecarta no Youtube e pelo Facebook do Cultura Doadora