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Queimadura de pele e ocular – prevenção e tratamentos

As queimaduras são lesões graves que podem comprometer profundamente a pele e outros tecidos, causando deformidades e limitações permanentes. A prevenção é essencial, especialmente em ambientes domésticos, onde o risco é maior — sobretudo para crianças.

No tratamento, os curativos biológicos desempenham papel fundamental, protegendo a área afetada, aliviando a dor e favorecendo a regeneração. Entre os principais avanços científicos estão o uso da pele humana e da membrana amniótica, ambos materiais provenientes de doações.

Já incorporada aos protocolos do SUS, a pele doada funciona como um curativo temporário. Ela substitui tecidos necrosados e, em cerca de três semanas, é absorvida, permitindo que o corpo complete o processo de cicatrização.
O material é armazenado em bancos de pele, com validade de até dois anos. No Brasil, existem quatro unidades (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba).

Ainda em fase de regulamentação no país, a membrana amniótica já é usada internacionalmente com ótimos resultados. No Brasil, foi aplicada em caráter humanitário nas vítimas da Boate Kiss, comprovando seu potencial regenerativo.
É uma alternativa promissora para queimaduras de pele e, especialmente, para queimaduras oculares.

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Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, especialização, com Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela UFMG. Atualmente é médica da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, no Hospital João XXIII, sendo Coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados Professor Ivo Pitanguy, no Hospital João XXIII. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).

Formada em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com mestrado e doutorado em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, atua no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, sendo responsável pelo controle e garantia da qualidade do Banco de Tecidos Oculares. Integra a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) e é membro da Liga de Transplante de Órgãos da UFRGS.

Graduada em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Pós Graduação em Reabilitação em Membros superiores- Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e Pós Graduação com Especialização em residência Multi profissionais. Atualmente é membro da Sociedade Brasileira de Queimaduras.

 

Dados nacionais

Apesar de já utilizada com sucesso em vários países, a membrana amniótica ainda não está regulamentada para uso clínico no Brasil. No entanto, o Ministério da Saúde está na fase final dos protocolos de captação, processamento e armazenamento.

Mesmo sem autorização formal, a membrana foi utilizada em caráter humanitário durante o atendimento às vítimas do incêndio da Boate Kiss (RS, 2013), com material doado por instituições da Argentina e Uruguai. A experiência comprovou seu potencial regenerativo e consolidou o conhecimento técnico da equipe brasileira.

No caso das queimaduras oculares, o transplante de membrana amniótica (AMT) já demonstrou ser uma opção eficaz e segura. Pode ser utilizado:

  • Como enxerto, fornecendo uma base para a regeneração epitelial;
  • Como “lente biológica”, protegendo e promovendo a cicatrização da superfície ocular.

Estudos mostram que, quando aplicada até duas semanas após uma queimadura térmica ou química, a membrana amniótica criopreservada oferece alívio imediato da dor, favorece a cura epitelial e reduz inflamação e formação de cicatrizes. O AMT também pode atuar como tratamento complementar a terapias médicas, melhorando significativamente o prognóstico ocular em queimaduras de graus II e III.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam um crescimento preocupante nos casos de queimaduras no Brasil. Em 2023, foram registradas 33.618 internações por esse tipo de acidente. O número subiu para 34.508 em 2024 e, apenas nos três primeiros meses de 2025, já foram contabilizadas 8.425 internações.

O volume de atendimentos ambulatoriais também impressiona: 241.574 em 2023, 250.620 em 2024 e 68.922 apenas até março deste ano.

O ambiente doméstico continua sendo o principal cenário desses acidentes, com destaque para casos envolvendo crianças. As principais causas são líquidos ferventes, produtos quentes e o manuseio incorreto de materiais inflamáveis.

As queimaduras oculares são consideradas emergências oftalmológicas. A rapidez no atendimento é crucial para reduzir os danos aos tecidos afetados.

O reflexo natural de piscar geralmente protege os olhos, fazendo com que queimaduras térmicas atinjam mais frequentemente as pálpebras do que a conjuntiva ou a córnea. No entanto, em casos mais graves, pode ser necessário recorrer a múltiplas cirurgias reconstrutivas, como enxertos de pele.

Entre os principais agentes causadores estão chamas de incêndios, água fervente e óleo quente.

De acordo com o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), mais de 3 mil pessoas morrem anualmente por queimaduras no Brasil. Cerca de 10% a 12% dessas vítimas são crianças — o que representa mais de 300 mortes infantis por ano.

Acidentes envolvendo eletricidade respondem por 46% dos óbitos, sendo esta a principal causa de morte relacionada a queimaduras.

data
10 de setembro de 2025, 19h

transmissão
AO VIVO pelo Facebook e pelo canal do Youtube da Fundação Ecarta

apoio
Sinpro/RS e Sociedade Brasileira de Queimaduras