PROFESSOR ARTISTA/ARTISTA PROFESSOR
trAMAR
Arte têxtil sobre crochê de Nahyr Tavares dos Santos (anos 70), ponto-cruz de Neidy Santos dos Santos
artista
João Augusto Santos (Rio Grand/RS. 1962). Vive e trabalha em Porto Alegre. Graduado em Educação Artística/ FURG, 1984 e 1989. Especialista em Arte Educação na Pré-Escola e Séries Iniciais/ URCAMP, 1990. Oficina de Litografia/Atelier Livre, 1997 a 1999. Restaurador de Bens Culturais/ Funarte, 2001. Professor de Artes nas redes públicas entre 1983 e 2018. Participação em Salões de Arte nos anos 80 e 90. Exposições individuais em Rio Grande, Bagé, Cachoeira do Sul e Porto Alegre.
texto curatorial
Ricardo Giacomoni
Há, na trama de um grande estandarte, os fios de uma memória que clama por aparição. Levanta-se, ao alto, a lembrança que conjuga, em seus laços e pontos, aquilo que se estende como transmissão de uma herança bordada. Conversa entre Neidy, Nahyr e João — mãe, avó e filho; filho artista e neto designado por um mesmo sobrenome — que, diante dos panos, faz arte em bordar a falta que procura a palavra: diálogo que se prolonga pelo gesto percorrido pelas mãos geracionais, que seguram a agulha herdada.
Erguem-se as lantejoulas que reluzem a cintilância das lágrimas íntimas das perdas. A obra de João oferece uma presença costurada pela coragem contida na travessia de estar diante daquilo que já não temos, mas que, em alguma parte, sobra sem escassez. Costura é também sutura: ato convalescente de reabertura, remendo e criação que exige um tempo singular.
Assim, Stand-art é também ficar em pé diante de um acontecimento. É o que podemos escutar pelos olhos nesta saudosa conversa: o buquê de flores bordado em ponto cruz, rodeado por um azul profundo que, em ondas de canutilhos, pérolas e contas coloridas, se abre como campo de cor e luz. A moldura dos crochês bordados, nas horas livres de um passado outro, se faz como um nó em nós, que sustenta e ampara — memória florescente que, apesar do tempo, dura. Cores mil envolvem o vivo das flores, criando um espaço onde saudade e vitalidade se entremeiam. Cada fio, ao dançar, enlaça um brilho opaco ou de luz que cintila e convoca a deslocarmos, pelos sentidos, o que na vida permanece — mesmo diante da fuga das coisas mais preciosas que, por esta qualidade, são imperecíveis.
Ricardo Giacomoni
Psicanalista
data
abertura
28 de agosto de 2025, 19h
17 horas conversa com os artistas
visitação
até 21 de setembro de 2025, de terça a domingo, da s10h às 18h
Entrada franca
