PROJETO POTÊNCIA

Fantasmagorias da carne: corpos em crise

A exposição apresenta uma investigação pictórica onde a matéria tátil da tinta a óleo se converte em corpo vivo, ou melhor, em corpos desestabilizados. Através de uma série de telas que oscilam entre a figuração e o caos controlado, o artista explora os limites da representação humana como entidade.

As obras expostas revelam um processo meticuloso de violência e reconstrução: peles que se deslocam em camadas de tinta, membros que se fundem em massas coletivas, anatomias que se desfazem em gestos pictóricos. A pintura aqui não ilustra corpos, mas performa sua desintegração, cada pincelada registra tanto um ato de criação quanto de destruição. O que emerge é uma poética da deformação, onde o espaço da tela torna-se campo de batalha entre forma e informe.

artista

Formação: Bacharelando em Artes Visuais UFRGS (2021-2025)

Exposição individual durante a programação na RBSTV – 2021, Porto Alegre, RS;Exposição coletiva POPUP, Galeria ArtLab – 2023, São Paulo, SP;

Exposição Martelo Taco-taco, Mantra – 2023, Porto Alegre, RS;

Exposição coletiva Panelinha, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – 2024, Porto Alegre, RS;

Exposição Breves Encontros e Algumas Derrubadas, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – 2024, Porto Alegre, RS;

Residência artística com Ane Valls – IAB – 2024, Porto Alegre, RS;

Prêmio Artista Destaque de 2022, Prefeitura de Teutônia, RS;

Matéria sobre trajetória, Portal G1, disponível em:

https://redeglobo.globo.com/rs/rbstvrs/posso-entrar/noticia/tiago-josefiaki-encerra-se rie-de-exposicoes-na-galeria-do-posso-entrar.ghtml

Esta exposição apresenta uma investigação pictórica radical sobre os limites do corpo como forma e ideia. As telas operam como campos de força onde a figura humana é submetida a processos sistemáticos de desmontagem, pinceladas que cortam, manchas que transbordam, superfícies que se decompõem em gestos violentos e delicados.

A pintura aqui não representa corpos, mas performa sua crise.

A matéria escorre, coagula e se rebela contra o contorno, criando uma tensão permanente entre construção e ruína. O que emerge não são figuras, mas vestígios de uma presença esfacelada: membros que se fundem em massas coletivas, peles que viram paisagem, anatomias impossíveis que desafiam a lógica da representação. Há um erotismo sombrio nesse processo, uma celebração do que escapa ao controle.

A tinta, ora densa como carne, ora fluida como sangue, registra o tempo dogesto, suas hesitações, acidentes e violências. Se o mundo contemporâneo impõe corpos cada vez mais padronizados e fixos, estas telas tentam responder com uma materialidade crua que resiste à limpeza.

O que chama atenção é como a pintura, meio tradicional por excelência, torna-se veículo para questionar justamente a noção de corpo no século XXI. Longe de ser mera ilustração de conceitos, cada tela é um acontecimento onde a forma luta para existir antes de se dissolver novamente. O resultado não é pessimista, mas potente: um manifesto sobre a pintura como território de resistência, onde a carne ainda pode ser ferida, transformada e, sobretudo, sentida.

abertura
17 de julho de 2025, 19h

visitação
até 17 de agosto de 2025

Conversa com artistas e curadores 
17 de julho, sexta-feira, às 17h, sala 3